sexta-feira, 29 de agosto de 2008

"Histórias que nossas babás não contavam"


Era uma vez....

Num reino não muito distante, viviam príncipes e princesas que tinham laços com o castelo

vizinho, eram laços de sangue, coisa importante para a época.Todos viviam felizes.

E tinha o grande rei

O grande rei era a fonte de união dos dois castelos.Mas o mais importante, é que eles não sabiam

disto, ou sabiam e não se importavam.

E um dia veio a tempestade e varreu tudo do reino...

Móveis, tapetes, objetos de valor, porta retratos, roupas...

Inclusive o grande rei.

Sumiu.

Ninguém sabe onde ele fora parar

Todos ficaram assustados com a tempestade e com o desaparecimento repentino do grande rei

Pelo medo, da tempestade, as pessoas começaram á julgar umas ás outras, apontavam culpados,

apontavam soluções para o futuro, apontavam quem ia sustentar a família do grande rei, mas

ninguém chegava á nenhuma conclusão.

E resolveram isolar os reinos

Com a condição de se ver apenas uma vez por ano

Ninguém queria atravessar a fronteira de um castelo para o outro durante o ano

Por medo

Da dor

Medo de ser julgado

Medo de perder de novo

Medo de achar que devia algo para o outro

Medo de lembrar que haviam esquecido do grande rei

Daquilo que ele tanto preservava

Estas pessoas só não sabiam que aquilo tudo, tinha sido apenas, uma tempestade.

Não estavam acostumadas com dias chuvosos

Só não sabiam que outras tempestades viriam

Outros reis, principes, rainhas, sumiriam com elas também...

Em quantos reinos iram se subdividir a cada tempestade?

Tempestades vão embora...

Mas a história

FICA

O Amarelo dos Dentes


A vida interia escutei as pessoas falarem:
"Nossa, como ele é quieto!!"
"Ele fala?"

A obrigação de dizer algo!!!!

Como as pessoas tem dificuldade de lidar com o silêncio.È preciso dizer algo sempre?
Precisamos demonstrar sempre que sabemos de algo, que estamos inteirado, que somos engraçados, que somos agradáveis, que gostamos de tudo e de todos.

O riso amarelado, sedento de aprovação alheia!!

O ruído desnecessário, o grito ao mundo para afirmar uma existência não muito segura.

O abanar de rabo, como um cachorro de buteco, faminto.

Silêncio é bom, faz você escutar a sí mesmo.Faz você escutar o outro melhor.Aliás, faz você
principalmente "perceber".

Escutar ás vezes é uma tarefa fácil.

Difícil é perceber

E a fala desenfreada, maqueia o perceber.È preciso falar pra caralho para não ser visto.Ser percebido.

Talvez porque quando somos percebidos, entramos em julgamento

E a maioria das vezes vamos desagradar.Mas oque importa? Somos julgados o tempo inteiro.

O importante é nos livrarmos do "amarelo nos dentes"

Das expectativas que o outro tem em relação á nós

O ruído das palavras pesa mais que o silêncio observador

"Sorria você está sendo filmado" !!!!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Mistérios Gozosos


Sempre estudei em colégio de freiras, uma coisa que agradeço todos os dias da minha vida, pois esta experiência me trouxe uma coisa muito boa, humor!!!

Não que isto era ensinado no colégio, muito pelo contrário, era o que faltava.

E não tinha coisa melhor que rir durante uma oração, principalmente na capela.O curioso é que eu era uma criança que não ria durante o intervalo ou na sala de aula.Parece que guardava o riso para a oração, para a capela.O riso vinha da obrigação de ficar sério.Todas aquelas crianças enfileiradas, do menor para o maior, bom, eu era um dos primeiros da fila, dádiva dada geneticamente por Deus.Tinham várias filas de crianças, todas organizadas, para a reza inicial.Sim tinha a reza inicial, depois a reza do meio dia, depois a reza do recreio, a reza na capela, a reza na aula de religião, a reza na saída.Todas elas exaltando "Mary, The Grandmother".

O curioso é que rezávamos tanto, exaltávamos tanto, decorávamos letras de canções, e eu olhava para aquelas imagens e elas estavam sempre sérias, tristes.As madres estavam sempre sérias e tristes também.Nada mudava.È daí que vinha a vontade de rir.

Eu, uma daquelas estátuas sérias, chorando, de rir.Milagre.

O melhor de tudo era quando brincávamos de esconde-esconde, ou pega-pega na escola.Meu lugar preferido, meu esconderijo era a a capela.
Sabia que ninguém iria se atrever a me procurar lá, ninguém se atreveria a "brincar" na casa de Deus.E se entrasse uma madre, era só sentar no banco, abaixar a cabeça, fingindo rezar.Não importaria qual reza era, afinal eram todas iguais.

"O hábito, esse demônio que devora todos os sentimentos"

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Sempre quis ser um crápula - Parte I


Quando criança, lembro-me de estar na escola com as crianças da minha sala
Todos falando oque queriam ser quando crescer
Um astronauta, outro policial, tinha a dona de casa, a enfermeira, o advogado,
Eu queria ser um crápula

Destes famosos
Sem escrúpulos
Que estão pouco se fodendo

Sempre achei que tinha potencial para isto
Pelo menos ia recebendo indicações disto
Das pessoas
Desde familiares até amigos

Resolvi investir na carreira
Isto poderia me render algum lucro
Ser crápula

E cada vez que reforçavam isto
Mais investia na carreira
"Você é um crápula" "Nunca vai chegar á lugar nenhum"
Não sei onde estas pessoas chegaram
Sei que tiveram um lucro maior que o meu
Se isto quer dizer chegar á algum lugar

Meu primeiro ato como crápula foi na escola mesmo
Roubar a mochila da garota mais comportada da sala
Não podia ser outra criança
Tinha que ser da mais comportada
Se não
Não valia

E para minha sorte, a mochila dela estava cheia de dinheiro, claro
E novamente o universo me apontava que eu estava destinado á ser um grande crápula
Remorso, zero

Pela primeira vez, ela não podia responder as perguntas da vida
Estava muda diante da fatalidade do destino
Ela que estava sempre pronta pra todas as perguntas da professora
Não podia responder
Onde foi parar o dinheiro da minha mochila?

Ganhei minha estrelinha do dia
Não tinha ninguém para me aplaudir
Apenas meus comparsas de crime
Meu concorrentes de profissão
Meus futuros sócios
Os crápulas que cresceram
Por indicação
O famoso Q.I

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A VIDA LÍQUIDA


Líquido entorpecido
porque és assim?

Torto

Te condeno por me abraçar diversas noites, mesmo sem eu pedir
Por me levar até o meu subsolo
Por me dar coragem de enxergar no escuro
Por me perder no labirinto

Talves eu seja torto
e não você

Em quantos estados você me deixou?
Senti minha pele rasgar diversas vezes
Mas nem por isto o amaldiço-ei
Muito pelo contrário
Te apresentei a Baco

Formamos então a Santíssima Trindade
O pai, o filho e o espírito santo

Nós três juntos ex-comungados
Fugindo dos apedrejamentos
Da falsa concretute

E sempre renascendo
Os três
Neste mesmo corpo
Consumido, gasto e torto

E vem a sobriedade
me lembrando á todo momento
o quanto eu devo SER
para os outros

Se um dia fugir
Vida líquida
Ao menos me deixe uma carta de despedida
Para me lembrar de nossas amarguras

NOITE


Senhora absoluta de todas as coisas
Aquela que nos desnuda, que nos acolhe, que não julga,
nos cobre em seus véus, véus desnudos, transparentes...
Poderosa em arrancar máscaras
Nossa visão fica melhor

É na noite que eu enxergo melhor

Às vezes ela vem com desventuras, consequência de alguns excessos
Excessos que ás vezes são caros,
Mas pecar de vez em quando é bom

Adoro acumular karmas, Isso me traz conforto

Me diz que viverei muito mais tempo aqui na Terra
Que viverei outras vidas, conhecerei outras pessoas, terei outro corpo, novos conceitos,

Aí o céu pode me deixar em paz

Com toda sua burocracia
Deixei-me comer do fruto proibido
Irei saboreá-lo com toda minha voracidade
me regarei nos pecados

Permitirei-me...ERRAR!!!

E serei expulso daquilo que pensava que era paraiso, da falsa liberdade
E finalmente enxergarei-me nú...
Assim como ela....
NOITE

VIVA O RIDÍCULO


Vamos nos ridicularizar
Pintar a cara das pessoas de ridículo
Mostrar a feiúra

Viva a feiúra!

Eterna feiúra que não se esconde
Não se camufla
Não se envergonha, se assume
Se humaniza,
se identifica
Quer aparecer por necessidade
Necessidade de dizer
Como eu queria sair por aí
Descabelar-me á mim mesmo

Me fazer de palhaço

Não me esconder da palhaçada, sem graça, que o mundo tenta ser
Por querer sempre, insistir e persistir, no querer "parecer"
Existe maior palhaçada que esta?
Existe maquiagem mais borrada e ridícula que esta?
Esta necessidade humana de querer aplauso e aprovação?
Vamos pelo menos assumir que não conhecemos nada aqui
Que não somos nada diante deste vasto universo que se expande
Vamos vomitar palavras como "mercado de trabalho"
Afinal não somos produto de mercado
Somos mercadores de trabalhos
Não somos peças de uma indústria

Somos gente

Romperemos as máquinas
Atrasaremos o processo, a produção, o dinheiro, o egoísmo, a pobreza, a televisão,
Atrasaremos Campos de Jordão
Produziremos incansávelmente a humanização
A valorização espiritual e não mercantilista
Este pensamento ainda arcaico
Ainda catequisador
Ainda bandeirante

VIDA PERVERSA


"Ah, vida pervertida

Me engula
Me faça seu
Me corrompa
Não me dê certezas, das quais eu não possa carregar
Me faça eu
Somente eu
O concreto das incertezas humanas
Contradição da hipocrisia vivida por aí

A destruição de toda religião
O detrimento de todo catequismo
De todo domínio
Sempre persistente nos humanos
Dos índios aos negros, dos povos que são considerados inferiores
Nos povos onde a humanidade teme
Sua liberdade, seus deuses, seus costumes, seus desprendimentos

Por isto a catequese

Catequisar não o outro
Mas no outro,
A própria insegurança de sí mesmo
Da falsa certeza que o domina
Catequisar no outro
A dúvida do seu próprio ser.

VER


Jamais serei aceito no reino dos céus, sou adulto demais para isto
Fui cuspido aqui na Terra e tomei forma,
talves este foi o plano de Deus para mim
Sou a personificação e a materialização de um "encosto"
Não pensem na revolta do escritor deste texto como algo em vão, mas sim, em uma manifestação,
com a força que Deus me cuspiu, fiquei com a expressão
Que as couraças que tampam nossos olhos se arrebentem para entrar a verdade de inúmeras possibilidades, possibilidades de escolhas
E escolhas são mudanças.Palavra tão difícil no vocabulário terreno

Pessoas odeiam mudanças

Nas mudanças não sabemos aonde colocar aqueles velhos conceitos, não sabemos lidar com o novo
Queremos controlar
Controlar algo
Um marido, uma esposa, uma conta bancária, um animal, um trabalho, controlar um conceito, controlar nossa imagem, até Deus

Como sobrevivemos sem controlar Deus?
Sim, estou falando de Deus
Aquele que vcs dizem ser criador do céu, da terra, do fogo, dos cisneis e dos coelhinhos
Seres humanos não sabem o que a droga de seu vizinho quer, mas sabem o que o criador de todo o sistema solar quer!
Ah, se não houvesse uma pontinha de domínio em tudo!
Ah, se não houvesse um maniqueísmo!
Mas....
"DEUS QUER"